Coluna Nossa Legado: Vocês vão dormir a noite toda?

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Vocês vão dormir a noite toda?

Jesus finalmente chega ao ponto mais alto da sua missão redentora, a cruz. Jesus poderia ter sido preso em qualquer lugar como nas sinagogas (aqui seria obvio o flagrante que eles tanto esperavam), nas casas onde ele pregava, no templo. Mas tudo aconteceu no jardim do Getsemani, que significa, lugar de “prensa de azeite”.

As dores do Jardim:

  • Dor da Traição e da Perda: Jesus precisava de estrutura física, psicológica e espiritual para passar suas últimas instruções em vida para os seus discípulos e realizar a Ceia, sabendo que havia um deles prestes a lhe dar uma “apunhalada pelas costas”. Seria um escândalo, um pecado e um crime terrível, e não era somente a traição que marcaria esse momento, era a despedida e a perda de um discípulo, de um amigo, pois depois daquele beijo no jardim, eles não se veriam mais em vida.

 

  • Dor da Negação: Jesus inicia as suas orientações e de repente é interrompido por Pedro, que demonstrou tamanha convicção que JAMAIS O NEGARIA E QUE SE FOSSE NECESSÁRIO MORRERIA POR ELE (Mateus 26:35), foi tão convincente em sua afirmação que os demais discípulos se encorajaram a confirmar a mesma coisa. Seria um abraço na alma se não fossem palavras de cunho emocional e de impulso. Quando o perigo iminente de morte realmente aconteceu, Pedro com certeza não lembrava do que que ele havia falando apenas algumas horas antes, sua coragem em morrer por Jesus foi rapidamente substituído pelo medo de morrer por Ele.
  • Dor do Desprezo: Desprezo é o descaso próprio de alguém que não se importa ou não dá a devida atenção, agindo com indiferença. O que Jesus pediu de seus amigos horas antes da sua morte não era algo tão difícil de atender, Ele só queria apoio, abriu para Pedro, Tiago e João o que Ele não revelou na frente dos outros discípulos: “A minha alma está PROFUNDAMENTE triste até a morte; ficai aqui e vigiai COMIGO.” E o comportamento repetido por eles por três vezes foi de apatia. Muitas vezes não precisamos de muito, companhia e oração já nos traz certo consolo, isso é tão pouco para que faz, mas tão importante para quem recebe. Mas nem o mínimo, os seus “Discípulos mais chegados” fizeram por Ele. Dormir, fingir que não estamos vendo as pessoas em “agonia” ao nosso redor, dar aquele típico “tapinha nas costas” e dizer que vai passar, é desprezar, só que de uma forma “mascarada”.
  • Dor da Entrega: O que passaria em sua mente se tivesse apenas algumas horas de vida? Faria uma retrospectiva? Pensaria na sua família? Eu imagino Jesus pensando no seu primeiro sermão, em seu primeiro milagre, no seu batismo no Jordão, sentimentos de despedida da Terra, com a terrível sensação de tomar o lugar dos assassinos, dos idólatras, dos mentirosos, dos ímpios, dos gananciosos… Enfim, de enfrentar a Ira de Deus e estar separado Dele enquanto PAGA O PREÇO por mim e por você.

Que tipo de “Evangelho” nós estamos vivendo?

Jesus passou por tudo isso para que muitos de nós largássemos a FÉ por causa das DECEPÇÕES, TRAIÇÕES, DESPREZO, PERSEGUIÇÃO?

Precisamos de um BATISMO DE GETSEMANI, houve alguém agonizando até a morte para que estivéssemos aqui e CONTINUASSE a sua mensagem de AMOR, REDENÇÃO E RECONCILIAÇÃO com o Pai.

Li nesta semana uma frase de Charles Spurgeon que reflete bem o que quero ilustrar: “Não somos o CARAMELO da terra, somos o SAL da terra, algo que o mundo tem vontade de CUSPIR e não de ENGOLIR”.

Ser encontrado pelo amor de Deus e entregar-se à Ele de todo o coração, alma e espírito, certamente é a experiência mais extraordinária que um ser humano pode experimentar em toda a sua vida, é usufruir da cura, da libertação, da proteção, da transformação inimaginável do Espírito Santo. Mas também é lutar contra os gigantes, é ser jogado em fornalhas, em covas de leões, em prisões e em desertos, é ser prensado no jardim até que tudo morra em nós, até que tudo seja exposto na cruz.

Vou concluir usando as mesmas palavras de Jesus em Mateus. 26: 45-46. “Vocês vão dormir a noite toda? … Levantem-se e Vamos!”

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