Expectativa X Realidade

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EXPECTATIVA X REALIDADE

“Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram.”  (Romanos 12:15)

Este pequeno trecho das Escrituras Sagradas tem movimentado as minhas perspectivas em pelo menos três aspectos, onde buscarei compartilhar com vocês no decorrer deste texto.

A primeira delas é sobre a aproximação que esse versículo me traz com o sentimento de EMPATIA. Mas, em tempos onde vivemos numa sociedade acelerada, ostensiva e competitiva será que temos tempo de praticá-la?

Ser empático não é somente ser capaz de se colocar no lugar do outro ou ter uma ideia do que o outro está sentindo. É se identificar, se comunicar, se envolver mesmo. E ocorre em todas as relações que cultivamos em família, entre amigos, com os colegas de trabalho, vizinhos e até mesmo com quem senta ao nosso lado no transporte público ou com quem estamos aguardando numa fila.

Certamente, a empatia é um sentimento imprescindível e necessário para acessar os “muros emocionais” que nos separam uns dos outros. Dr. Augusto Cury escreveu em uma das suas obras. “Mas toda mente é um cofre; não existem mentes impenetráveis, e sim chaves erradas.”

Outro aspecto que me trouxe uma certa inquietação, trata-se sobre a “ideia de alegria” que as pessoas estão comercializando neste momento do qual todos temos a oportunidade de estarmos conectados nas plataformas sociais.

Ora, bem sabemos que a alegria não é um estado de espírito do homem, mas um dos nove principais frutos do Espírito de Deus que transformam as nossas vidas (Gálatas 5:22). O desenvolvimento dessa virtude em nós, eleva as nossas motivações acima dos embates que acontecem no nosso dia a dia, não importa o que aconteça, a alegria do Senhor é a força que nos move (Neemias 8:10b). Observe que a alegria não é algo que nós produzimos, ela é do Senhor?

Seria no mínimo uma atitude insana nossa, comprar a utopia que o discurso TRIUNFALISTA expande em nosso tempo. São canções, pregações e até teologias que se empenham em cada vez mais atrair o seu público sedento por um discurso motivacional.

Ah! eu não tenho uma boa notícia a esse respeito não. Se formos parar para refletir sobre o legado que os heróis da fé nos deixaram, inclusive o Senhor Jesus, nos depararemos em um grande paradoxo. Encontraremos homens e mulheres que enfrentaram adversidades, medos, dores, perdas e até mesmo a morte.

Em sua segunda carta a Igreja em Corinto (2 Coríntios 11. 23-28), o Apóstolo Paulo descreve um pouco da dolorosa luta física e psicológica que passou e no capítulo 12:10 declara que se alegrava por isso.

E o espinho da carne? Parece bizarro e cruel, renunciar a própria vida, não ter uma condição estável, não conviver com a sua família, não se casar e ter filhos em nome de um chamado e ainda ter um “espinho na carne” ou seja, algo para que ele não se engrandecesse por ser quem é. Rogou a Deus três vezes, como o Senhor Jesus pediu no Getsemani, para que Deus o livrasse daquela “situação” e a resposta do Pai foi “A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza.” (2 Coríntios 12: 9 a)

Em outras palavras: “Você prefere se livrar do problema, viver uma vida sem propósito e não ganhar nenhuma experiência ou ser dotado da minha GRAÇA e atravessarmos isso juntos?”

Diante disso concluímos que NÃO HÁ NADA DE ERRADO PASSAR POR ALTOS E BAIXOS, ESTÁ TUDO BEM, ALGO COMPLETAMENTE NORMAL PARA UM VERDADEIRO CRISTÃO!

Então, descanse no Senhor e não se sinta obrigado de mostrar para o mundo que você tem “alegria”.  Pessoas tem se desgastado bastante com essa disputa pelos “palcos” das plataformas sociais e algumas nem sabe o quanto estão adoecendo emocionalmente e atraindo olhares de despeito, de desprezo e de inveja.

E Esta é a terceira e última perspectiva que gostaria de abordar aqui.

Antigamente quando pensávamos no conceito de inveja chegávamos a conclusão que as pessoas acometidas disso queriam a casa, o carro, o cargo das outras, jamais admitiam querer ser como a pessoa alvo da sua indignação. Porém nos dias de hoje conseguir “coisas” está no alcance da maioria das pessoas, até mesmo as de condições bem restritas.

Então o que atrai inveja?

A alegria que você tem, o sorriso que você tem, a beleza interior que você tem, o amor que você sente pelo seu cônjuge, a relação que você tem com os seus filhos, a habilidade, a resiliência, a fé, a força que você demonstra diante das dificuldades.

Lembro de uma experiência que passei com uma amiga que ficou marcado em nossa história. Erámos melhores amigas na época, nossa amizade era nível HARD de irmandade e confiança e aquela amizade passou a ser um objeto de desejo para alguns que faziam parte do nosso círculo de amigos, uns queriam ela, outros queriam a mim, como se pudessem nos colocar dentro de uma bolha e guardar na prateleira.

Nunca vi tanto empenho dessas pessoas um destruir a aliança que tínhamos. Até que como diz o velho ditado: Água mole, pedra dura… Conseguiram! Erámos bem imaturas na época e acabamos nos deixando sucumbir. E no final não tiveram a nenhuma de nós!

Hoje, maduras retomamos a amizade porém, não moramos mais no mesmo Estado e assim a comunicação não é tão frequente como gostaríamos. Mas a lição ficou cravada em nossos corações: Cuidado com aquilo que você expõe, cuidado com o mal disfarçado de bem, nem todas as pessoas que estão ao seu redor estão preparadas para vibrar com a suas conquistas e isso serve para familiares também, você tem o controle de escolher o que você quer que as pessoas saibam e lá vai outro ditadinho: O que ninguém sabe, ninguém estraga né?

São Paulo, 03 de Fevereiro de 2020. Luziane Araújo

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